Quando era criança e ouvia comentar que a vida era difícil. Eu achava que não era, não... Era bem fácil ! Claro que era fácil... só quem fazia as coisas 'mal' é que tinha que pagar o devido preço...
A verdade é que cedo começei a perceber que nem sempre era assim... no entanto, conseguia sempre justificar o "preço" que estava a pagar com os erros que ia cometendo ao longo do meu percurso... sim, porque por exemplo, se tive que estudar e trabalhar ao mesmo tempo a culpa era só minha que tinha andado na borga durante o ensino secundário logo... e que foi bastante difícil foi... felizmente o resultado final foi positivo... se era refilona e dizia tudo o que pensava era normal ter o "troco"...
A minha descoberta do outro 'lado da vida' foi quando a saúde ou melhor a falta dela, afectou as pessoas que me eram muito próximas. As pessoas que faziam (fazem) de mim quem eu era/sou... a minha avó materna... e... a minha mãe. Aí deixei de encontrar sentido para as minhas 'justificações' (ou melhor dizendo 'balelas de ignorante'!) para a minha vida e para o preço que teria que "pagar"...
Tudo tem servido para me fazer "crescer"... ou melhor dizendo desaparecer porque a evolução, o passar do tempo tem contornos algo duvidosos... caminho mesmo para onde?
Continuo a "pagar" o preço pelos meus erros, sim porque apesar de aprender com muitas coisas ainda há e continuará a haver uma infinidade de coisas por saber, por conhecer... e a cada passo que dou há sempre algum que me faz tropeçar... e uma vez mais vou ter que pagar um "preço" por um erro que cometi... só espero que este não afecte mais ninguém...
A vida é realmente muito exigente e o peso da responsabilidade complicou-se muito mais quando engravidei, mas depois de ter nascido o M. uma vez mais senti a tal "responsabilidade" que me falavam em criança...
Se ser um pouco impulsiva e até irresponsável ainda me era "permitido", agora não posso ter essa opção mas mesmo sem intenção acabei por o ser...
A responsabilidade de ter um filho não me devia permitir ter certas atitudes... Dar condições, amor, comida, amor, escola, amor, roupa, amor, casa arrumada, amor, etc. Cumprir horários. Pensar no bem estar do meu piolhinho. Com tudo isto e de uma forma natural acabei por deixar de parte o lado mais rebelde da minha personalidade... será mesmo?
Poderia voltar a tê-la se... nem sei como preencher este "se"... acho que já nada me faz ser quem era... sentir plenamente e poder dizer "sou feliz". Já não o consigo afirmar, já não consigo acreditar que vou voltar a sentir esta plenitude de sentimentos... para mim há sempre um "antes" e um "depois".
Pelos momentos "antes": obrigada mãe, obrigada pai! Por terem conseguido criar uma criança feliz e que acreditava no mundo... pelos momentos "depois"... a falta que me fazes mãe é insuportavelmente real e constante no meu dia-a-dia... é um vazio que o tempo não consegue preencher... já não sinto a revolta, já não tento entender porquê, apenas sinto. Tenho momentos em que estou feliz, que vivo intensamente mas nunca consigo deixar de pensar que só estaria verdadeiramente feliz se estivesses aqui comigo...
O prazer de gerar e educar um ser é uma forma de viver uma vida cheia de afectos e emoções. Os filhos são a minha maior fonte de alegria, de preocupações, de tristezas e de vontade de viver. Tenho plena consciencia que quando o meu filho nasceu mudou o meu mundo mas não preencheu o "vazio" que sinto... é sem sombra de dúvida a alegria da minha vida mas... malditos "mas"...!!
Havendo saúde, tudo o resto compõe-se... com calma, por mais difícil que a vida seja. Por mais sentimentos contraditórios que possa ter...
Quero acreditar... vou acreditar!