terça-feira, 29 de dezembro de 2009

A saudade...

A saudade... da tua voz...
dos teus gestos...
do teu sorriso...

Mãe, ficou tudo incompleto. Tudo... Amo os meus filhos sem qualquer sombra de dúvida mas falta-me sempre um pedaço de mim... sorrio para eles e até para a vida mas faltas-me tu...

tenho tantas mas tantas saudades tuas, mãe...

do teu cheiro...
das nossas comidinhas especiais...

do teu amor... como só tu me poderias dar...

recordo dias, momentos e até segundos que vivi contigo e no final sinto-me sempre uma sortuda porque estiveste ao meu lado sempre...

não fui a filha que sonhaste... sei disso e tenho medo que não acreditasses no quanto te amo...

já estavas tão doente e ainda assim foste ao meu quarto a meio da noite para saber se eu estava bem... eram só uns arranhões de um acidente de carro da treta... agora dói muito mais mãe, acredita. Não consigo (nem quero) apagar essa imagem da minha cabeça... essa e tantas outras em que dia após dia valorizo cada vez mais...

queria tanto acreditar que estás aqui... queria tanto mas tanto...

tenho tanto medo do ponto final... em que nada mais existe e que tudo é para sempre...

queria tanto acreditar que te vou encontrar... tanto mas tanto...

saudades mãe... tantas mas tantas...

dói mas aprendi a controlar o nó na garganta que me sufoca... bem tem dias que sim outros nem por isso...

o que não viveste... o que não viste... doi-me... tanto. Saber que querias tanto conhecer estes dois pestinhas lindos...

como é que se entende? que de um momento para o outro tudo muda? que perdemos a nossa identidade? a nossa fonte de vida? tudo continua... sim, mas sempre com um enorme vazio... pelo menos para mim ...

um beijo do tamanho do mundo, mãe. Daqui até ao meu coração onde estás sempre.

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